A participação de atletas não inscritos, popularmente conhecidos como “pipocas”, é um dos temas mais debatidos no universo das corridas de rua. Para entender melhor quem são essas pessoas, suas motivações e como enxergam sua relação com as provas, a Ticket Sports, maior plataforma de eventos esportivos da América Latina, lança a pesquisa nacional inédita: “Pipoca nos eventos: uma análise dos corredores ‘pipocas’ para além do hate nas redes sociais”, com participantes de eventos esportivos de todo o Brasil.
Entre os respondentes, 36,3% afirmaram já ter participado de algum evento esportivo sem inscrição oficial, o que revela que quase quatro em cada dez atletas já vivenciaram essa experiência. Do total de “pipocas”, 54,7% são mulheres e 45,3% são homens. Além disso, 29,6% desse grupo participou de quatro a seis eventos no último ano, com ou sem pagamento de inscrição.
O levantamento identificou que o principal motivo para participar como pipoca é o valor das inscrições. Mais da metade dos entrevistados que já correram sem inscrição (50,3%) apontaram o preço como fator determinante. Outros motivos relevantes incluem acompanhar amigos ou familiares (35,5%), decidir participar em cima da hora (16,9%) e não conseguir vaga para a prova (14,6%).
Segundo o estudo, o fenômeno também possui um forte componente social. Grande parte dos participantes afirma correr acompanhada de amigos, familiares ou grupos de corrida, e 59% dos pipocas costumam levar outras pessoas para participar da mesma forma.
“Os resultados mostram que o fenômeno dos ‘pipocas’ é muito mais complexo do que uma simples escolha entre se inscrever ou não. No nosso papel, e no profundo interesse por tudo que toca esse setor, voltamos com esse assunto. O material tenta ser analítico, mas menos julgador. Não tem plano de ação, não tem conclusão do que é melhor para o mundo. Mas tem a maior profundidade sobre o tema já elaborado. Também não é exercício de empatia. Temos nossas crenças claras. É sobre curiosidade e entrega de insights preciosos para quem cuida desse trabalho gigante que é criar e produzir um evento esportivo. Para além das brigas em redes sociais. Para além do hate. Para criar pontos de escuta e clareza”, comentou Daniel Krutman, CEO da Ticket Sports.
Outro dado que chama atenção é o sentimento de pertencimento. Mesmo sem estarem oficialmente inscritos, 43,6% dos pipocas afirmam se considerar total ou parcialmente parte do evento. Para Gabriela Donatello, Head de Marketing e uma das coordenadoras do estudo, esse resultado ajuda a explicar por que a prática é frequentemente naturalizada dentro da comunidade esportiva.
“O estudo nos ajuda a entender melhor esse comportamento e mostra que existe uma oportunidade importante para organizadores fortalecerem o relacionamento com esses atletas, comunicando melhor seus diferenciais e criando experiências cada vez mais relevantes. O dado de que mais de 90% dos participantes que já correram como pipoca também realizam inscrições oficiais em outras provas reforça que estamos falando de um público que faz parte do ecossistema dos eventos esportivos e que pode ser convertido e fidelizado por meio de estratégias adequadas.” , comentou.
Embora muitos participantes afirmem utilizar apenas o trajeto da prova, o estudo mostra que quase metade dos pipocas (48,8%) faz uso de alguma estrutura do evento além do percurso, como pontos de hidratação, banheiros e áreas de convivência.
Apesar disso, 71,5% dos atletas que já participaram como pipoca acreditam que sua presença não gera impacto financeiro para os organizadores. Entre aqueles que nunca participaram sem inscrição, a percepção é diferente: 63,1% consideram que a prática traz impactos econômicos para a realização das provas.
Região com mais Pipocas
A análise regional do estudo revela diferenças importantes no comportamento dos participantes. Quando o percentual de pipocas é calculado proporcionalmente dentro de cada região do país, o Norte aparece como a região com maior incidência da prática, com 62% dos respondentes afirmando já ter participado de eventos sem inscrição oficial. Na sequência aparecem Nordeste (44%) e Sul (43%), enquanto Sudeste (34%) e Centro-Oeste (30,4%) apresentam índices menores.
Os dados sugerem que fatores como acesso aos eventos, oferta de provas, custo das inscrições e características locais do mercado esportivo podem influenciar diretamente a adesão a esse comportamento.
Origem do termo “pipoca”
A palavra “pipoca” surgiu no Carnaval de Salvador, onde passou a identificar, nas décadas de 1980 e 1990, os foliões que acompanhavam os trios elétricos sem abadá, do lado de fora dos blocos oficiais. Com o tempo, o termo foi incorporado a outros contextos para designar quem participa de uma atividade coletiva sem adesão formal. Nas corridas de rua, “pipoca” passou a definir o corredor que faz o percurso sem inscrição oficial. No entanto, diferentemente do Carnaval, esses participantes ocupam o mesmo espaço operacional planejado para os inscritos, o que torna a comparação inadequada e faz com que alguns considerem o termo até brando para descrever essa prática.
Debate divide opiniões
O estudo também ouviu atletas que nunca participaram de eventos como pipoca. Entre eles, 45% consideram a prática aceitável em determinadas circunstâncias, enquanto 55% discordam. Além disso, 38,3% afirmaram que poderiam considerar essa possibilidade no futuro.
Mesmo sem terem sua experiência prejudicada diretamente, 50,9% dos participantes que nunca foram pipocas consideram a prática injusta com quem pagou pela inscrição. Por outro lado, muitos associam o fenômeno à democratização do esporte, ao aumento dos custos das provas e à dificuldade de acesso a vagas em eventos concorridos.
Outro resultado relevante mostra que quase 77% dos entrevistados conhecem alguém que já participou de uma prova sem inscrição, evidenciando que o comportamento está presente no cotidiano da comunidade esportiva brasileira.
O estudo da Ticket Sports mostra que o debate sobre os pipocas está longe de ser simples. O material sugere que a discussão sobre o tema não passa apenas por medidas de fiscalização, mas também pela construção de eventos capazes de comunicar melhor seus diferenciais, ampliar o valor percebido da inscrição e criar experiências cada vez mais atrativas para diferentes perfis de participantes. Veja a pesquisa completa aqui: http://materiais.ticketsports.com.br/pipoca-nos-eventos
Você pode gostar
Chapada dos Guimarães recebe a maior edição da história do Bota Pra Correr
Circuito Corrida Vale tem aumento de 117% de inscritos em 2026 e amplia acesso gratuito à corrida de rua
Maratona Internacional de Campo Grande abre inscrições para edição de 2027
FILA lança novo filme da campanha “Para todo corredor que existe em você”, gravado em Santiago do Chile
Evolution Run reúne mais de 1.500 atletas em Sorocaba

