Jovem de 24 anos morreu durante a Maratona de Nova York; educadora física e médico destacam cuidados para iniciar ou retomar exercícios e sinais de alerta que exigem atendimento imediato

Rabdomiólise: progressão nos treinos e orientação profissional ajudam a reduzir riscos

Jovem de 24 anos morreu durante a Maratona de Nova York; educadora física e médico destacam cuidados para iniciar ou retomar exercícios e sinais de alerta que exigem atendimento imediato

Começar com intensidade compatível com o próprio condicionamento, aumentar o esforço gradualmente, respeitar a recuperação e adaptar os treinos às condições de calor são cuidados importantes para reduzir o risco de rabdomiólise associada ao exercício. O alerta vale tanto para iniciantes quanto para pessoas experientes que retomam atividades após uma pausa ou começam uma modalidade diferente. A condição ganhou repercussão após a morte de uma corredora de 24 anos, no domingo (1º) durante a Maratona de Nova York. A jovem passou mal a pouco mais de três quilômetros da chegada e morreu no hospital. Ex-jogadora de hóquei sobre grama, ela disputava sua primeira maratona para arrecadar recursos para pesquisas sobre Parkinson, em homenagem ao avô.

O caso chama a atenção para um cuidado essencial: ter experiência esportiva não significa estar preparado para qualquer esforço. A adaptação depende também da modalidade, dos músculos exigidos e da carga de treinamento atual. “Uma pessoa pode ter boa resistência para determinada atividade e ainda precisar de uma adaptação cuidadosa para outra. O treino deve partir da condição atual do aluno, não do desempenho que ele teve no passado ou daquilo que outra pessoa consegue fazer. Evoluir com orientação e respeitar a recuperação faz parte do resultado”, salienta a educadora física Letícia Teixeira, gerente regional da Malibu Exclusive, que reforça a importância do acompanhamento de profissionais de Educação Física e da avaliação médica conforme o histórico de saúde e os objetivos de cada praticante.

A rabdomiólise acontece quando há destruição de células musculares, com liberação de componentes para a circulação sanguínea. Entre eles, o principal é a mioglobina, uma substância que pode levar à toxicidade renal, ocasionando lesão renal aguda, com posterior aumento dos níveis sérios de potássio, o que pode levar a arritmias cardíacas. O inchaço muscular intenso também pode causar síndrome compartimental, uma emergência que compromete a circulação e os nervos na região afetada. Além do esforço físico intenso, a condição pode estar relacionada a traumatismos, esmagamentos, calor extremo, convulsões, infecções e determinados medicamentos ou drogas. Alterações metabólicas, doenças musculares hereditárias e traço falciforme estão entre os fatores que merecem atenção individualizada.

Primeira prevenção: conhecer-se
O início ou a retomada de uma rotina de exercícios deve incluir uma triagem de saúde e uma avaliação física individualizada. Nessa etapa, é importante informar doenças diagnosticadas, lesões anteriores, episódios de mal-estar durante esforços, infecções recentes e uso de medicamentos e suplementos.

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A necessidade de consulta médica e de exames depende desse histórico, da presença de sintomas e da intensidade pretendida. Não existe uma bateria de exames obrigatória e igual para todos: pessoas sem sintomas e sem doenças conhecidas geralmente podem iniciar atividades leves a moderadas, com progressão gradual. Já quem apresenta sintomas ou tem condições clínicas relevantes precisa de avaliação para definir como se exercitar com segurança.

Dor no peito, desmaios, falta de ar desproporcional e palpitações acompanhadas de mal-estar exigem atenção médica antes da continuidade do esforço. Pessoas sedentárias com doenças cardiovasculares, metabólicas ou renais conhecidas também devem buscar orientação antes de iniciar o programa. “A avaliação médica não deve ser entendida apenas como um atestado. Ela permite identificar condições que exigem cuidados, revisar medicamentos e orientar a prática de acordo com o histórico de cada pessoa. O trabalho integrado com o profissional de Educação Física ajuda a transformar essas informações em um planejamento adequado”, explica Filipe Canela de Souza Godoi, especialista em clínica médica do Hospital Santa Tereza, em Campinas-SP.

Cuidados para reduzir o risco
A prevenção envolve planejamento e atenção às respostas do organismo. Entre as principais orientações estão:

  • Começar de forma gradual: evitar aumentos abruptos de carga, duração, repetições ou intensidade, principalmente nas primeiras sessões e ao experimentar uma modalidade;
  • Retomar abaixo do ritmo anterior: depois de uma pausa, reconstruir o condicionamento antes de tentar repetir o desempenho antigo;
  • Respeitar os intervalos de recuperação: ajustar a frequência dos treinos e evitar insistir em exercícios diante de dor intensa, fraqueza ou dificuldade incomum para executar movimentos;
  • Planejar a hidratação: considerar duração do esforço, temperatura, suor e condições individuais, sem impor uma quantidade universal de água ou forçar consumo excessivo;
  • Adaptar a atividade ao calor: reduzir o esforço quando necessário, fazer pausas e permitir adaptação progressiva às condições ambientais;
  • Não treinar com febre ou doença aguda: após infecções, avaliar a recuperação antes de voltar a esforços intensos;
  • Informar medicamentos e suplementos utilizados: alguns produtos podem aumentar os riscos em determinadas situações. Medicamentos prescritos não devem ser suspensos por conta própria;
  • Evitar álcool e drogas associados ao esforço: suplementos estimulantes e produtos para desempenho também precisam de avaliação profissional.

Essas medidas reduzem riscos, mas não eliminam completamente a possibilidade de rabdomiólise. Hidratação, isoladamente, não compensa uma carga de exercício excessiva, por exemplo. “O acompanhamento permite ajustar o treino ao longo do processo. Se o aluno chega depois de uma doença, relata cansaço fora do habitual ou apresenta dificuldade que antes não existia, isso precisa ser considerado. Não é uma questão de incentivar a pessoa a suportar qualquer desconforto, mas de reconhecer quando adaptar ou interromper a atividade”, destaca Letícia.

Dor desproporcional e urina escura são sinais de alerta
Dor muscular muito mais intensa do que a esperada, fraqueza importante, inchaço e urina escura, semelhante a chá ou refrigerante de cola, são sinais que exigem avaliação. A redução do volume de urina também merece atenção. Os sintomas podem surgir horas ou dias depois do esforço e não precisam aparecer todos juntos. “Não é necessário esperar a urina escurecer para procurar atendimento. Dor muscular desproporcional, fraqueza acentuada ou inchaço após esforço já justificam avaliação, especialmente quando há piora. A suspeita exige interromper a atividade e buscar atendimento médico; não deve ser tratada apenas com repouso e água em casa”, orienta Godoi.

Tratamento e retorno às atividades
O tratamento depende da gravidade e pode envolver internação, administração de líquidos pela veia e acompanhamento da função renal e dos eletrólitos. Casos graves podem exigir diálise ou cirurgia quando há síndrome compartimental. O atendimento precoce é importante para reduzir complicações.

Após um episódio, o retorno ao exercício deve ocorrer com orientação médica e progressão supervisionada por profissionais de educação física. Quadros recorrentes ou desencadeados por esforços pouco intensos podem exigir investigação de condições predisponentes. “Os benefícios da atividade física devem ser buscados com planejamento, orientação e respeito aos limites individuais”, conclui a gerente da Malibu Exclusive.

(*)Filipe Canela de Souza Godoi (CRM 200206 / RQE: 109711) é Especialista em Clínica Médica do Hospital Santa Tereza, em Campinas-SP.

Sobre a Malibu Exclusive

Fundada pelo empresário Carlos Alberto Camargo de Sousa, conhecido como Carlão, a Malibu Exclusive é uma rede de academias com estrutura de alto padrão, gestão profissional e foco na experiência dos alunos. Com 15 unidades em operação, a marca nasceu em Hortolândia, no interior de São Paulo, com o posicionamento de ser a “Academia da Família”, oferecendo ambientes completos e acolhedores para diferentes perfis e faixas etárias. Em expansão pelo sistema de franquias, a Malibu desenvolveu um modelo de negócio com suporte centralizado nas áreas de implantação, gestão, marketing, vendas e desenvolvimento de equipes. Além das franquias, a rede também oferece oportunidades de participação em novas unidades por meio de um modelo de investimento por cotas. Mais do que espaços destinados à prática de atividades físicas, as unidades Malibu foram concebidas como ambientes de convivência, saúde, bem-estar e transformação, enquanto a marca avança em seu processo de expansão e consolidação no mercado fitness.

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